Federação Catarinense de Motociclismo

Gustavo Henn fala da expectativa em competir
na etapa brasileira do Mundial na MX2
Texto: Daniela Burgonovo / Pro Tork - Fotos: Gerson Coas / FCM

Com 17 anos e um título nacional, catarinense Gustavo Henn fala em entrevista sobre a rápida evolução na carreira. Piloto disputa sua primeira prova internacional neste fim de semana, em Penha (SC)

Em apenas quatro anos, Gustavo Henn iniciou no motocross, garantiu um título brasileiro e conquistou ainda uma vaga para disputar uma etapa do Mundial, que será realizada neste fim de semana, dias 19 e 20, no Parque Beto Carrero World, em Penha (SC). O garoto catarinense de apenas 17 anos, natural de Mondaí, se destaca no cenário nacional e já é apontado como o futuro do esporte. Na entrevista abaixo, Gustavo fala sobre a evolução na carreira, sua rotina e a oportunidade de encarar os melhores do mundo em sua primeira prova internacional. Confira!

Ano passado você conquistou o título brasileiro de motocross na categoria 85cc, chamando atenção pelo número de vitórias e a vantagem que abriu sobre os adversários. Mas antes disso, pouca gente no esporte lhe conhecia. Como foi o seu começo?

Gustavo Henn: É verdade, a maioria dos pilotos são filhos de ex-pilotos e chefes de equipes, mas eu não tenho este tipo de ligação e ninguém sabia de onde eu vinha até eu me destacar. O interesse surgiu a partir de alguns amigos que andavam de moto e organizavam regionais, às vezes, eles me convidavam para ir treinar com eles e eu ficava cada vez mais fissurado. Eu ganhei minha primeira motocicleta em dezembro de 2007. Felizmente, meus pais resolveram apostar em mim. Já no início de 2008, passei a treinar com o Milton “Chumbinho” Becker. Ele me ensinou os primeiros passos, acho que não poderia ter escolhido um professor melhor, não é? Vendo toda a história dele, passei a me interessar, já não queria apenas saber andar, queria ser um piloto profissional. Então, fui atrás de um mecânico e conheci o Cristiano Giovanela, que trabalha comigo até hoje. Ainda em 2008, fiz duas etapas do Brasileiro de Motocross, mas fiquei lá para trás. Já em 2009, corri toda a temporada e terminei em 15°. Em 2010, vinha muito forte, estava em terceiro na tabela, mas acabei quebrando o braço e tive que passar por cirurgia. Logo quando eu retomei o treino, quebrei o pulso e encerrei o ano de molho. Os primeiros anos foram difíceis, a adaptação foi lenta, e eu ainda competia com atletas que passaram por categorias de base, que tinham mais experiência. Mas, ao lado do Chumbo e do Cris, aprendi a ser disciplinado, assim que me recuperei, me foquei no que eu mais queria. Em 2011 levei quase todas e garanti o caneco nacional na 85cc.


Campeão da 85cc em 2011, Gustavo também venceu na etapa de Canelinha

 Você é um adolescente e a vida de atleta requer muitos cortes. Como você lida com isso?

Gustavo Henn: A vida é feita de escolhas e eu escolhi ser piloto profissional. Sou bastante disciplinado, levo a sério meus treinos, folgo apenas no domingo, não vou a festas, não bebo. Sigo muito aquilo que os meus pais e os profissionais que estão ao meu redor me dizem. Meu estudo é à distância, através de uma escola de São Paulo, atualmente estou no terceiro ano do ensino médio. Foi a melhor forma que encontrei para conciliar com a minha rotina de treinos e competições, já que viajo bastante também. Eu faço aquilo que amo, logo, abrir mão de algumas coisas não se torna um sacrifício.

 

Quatro anos competindo e você já garante uma vaga para participar de uma etapa do Mundial. Muitos queriam estar no seu lugar. Como você encara esta oportunidade?

Gustavo Henn: Eu estou muito feliz com esta oportunidade e com tudo que venho conquistando desde que resolvi me tornar um piloto profissional. Jamais imaginei que tudo ocorreria tão rápido. Disputar uma prova ao lado dos melhores do mundo é um sonho, irei alinhar no gate com o Jeffrey Herlings, que é um ídolo para mim. Esta será uma grande experiência e quero aproveitar ao máximo para crescer com ela. Eu aprendo muito observando e não há cenário melhor para isso que o Mundial.

Ouve alguma preparação especial para esta participação no Mundial? Você traçou uma meta?

Gustavo Henn: Não alterei minha rotina de treinos em função do Mundial, nem tracei uma meta para a etapa. Este é meu ano de estreia na categoria MX2 e desde o início da temporada minha única intenção é evoluir a cada prova. Não tenho chances reais de brigar por títulos, ainda estou domando a 250cc, enquanto outros pilotos já fizeram isso faz tempo. Não sinto a menor pressão e isso está sendo muito bom, pois, mesmo sem cobrança, estou conseguindo crescer e me preparar para os próximos anos. Quero sempre fazer o meu melhor e é isso que planejo para esta etapa do Mundial, representar bem a minha equipe, a Pro Tork 2B Kawsaki Racing.

 

Na temporada passada, você teve a oportunidade de conhecer a pista durante a disputa da Superliga, apesar da prova ter sido cancelada devido ao mau tempo. Qual sua impressão sobre ela?

Gustavo Henn: Eu gostei muito da pista, lembro que acabei fazendo o melhor tempo no treino cronometrado daquela etapa. É um traçado bastante técnico e, com as melhorias para o Mundial, deve ficar com várias canaletas e buracos. É um circuito difícil, estou ansioso pela disputa.

 

Um fato curioso é que você tem largado na frente nas últimas provas, superando pilotos mais experientes. Como é sair na ponta e lidar com a pressão de ser perseguido? Você está pronto caso isso ocorra no Mundial?

Gustavo Henn: Estou treinando muito largada, acredito que o meu peso contribui um pouco para que eu saia na frente (risos). Largar em primeiro é uma grande vantagem, mas ainda não é fácil para mim lidar com os adversários atrás, muito menos manter a posição. Geralmente eu aguento apenas uma ou duas voltas, pois acabo escolhendo linhas não tão rápidas, não tenho ninguém na minha frente para me guiar, enfim. Estou naquele processo de adaptação e evolução que já mencionei. Tem rolado uma brincadeira durante os treinos e estou provocando meu mecânico Cris para apostarmos algo em relação a isso no Mundial (risos). Quero ganhar alguma coisa se eu largar na frente! Na verdade, tudo isso é só para descontrair, seria muita sorte se isso se tornasse realidade. Se já é difícil largar e manter a ponta nos nacionais, imagina no Mundial. Ainda é algo distante, mas sonhar é preciso (risos).


Largada da segunda bateria da MX2, na etapa de Canelinha

 

O fato de integrar uma grande equipe está lhe ajudando a crescer na modalidade?

Gustavo Henn: Com certeza. Quando eu iniciei meus treinos com o Chumbinho e vi tudo o que ele conquistou ao lado da Pro Tork, ficava imaginando o dia em que seria seu colega de equipe. O time é bastante forte, além do Chumbo, tem ainda o Antonio Jorge Balbi Júnior, atual campeão brasileiro e da Superliga. Estou ao lado dos melhores e eles estão me ensinando muita coisa. Conversamos muito durante as competições, eles me ajudam na preparação técnica e física, orientam o meu mecânico Cris no acerto da moto, enfim. É uma grande parceria. Além disso, conto ainda com os melhores equipamentos. Se eu garanti esta vaga no Mundial, boa parte se deve a equipe e ao trabalho que está sendo feito. Sinto muito orgulho em representar a Pro Tork e espero dar muitos títulos a ela ainda.

 

Agora que você já se tornou profissional, qual é a maior conquista que você pode imaginar para o futuro?

Gustavo Henn: Correr o campeonato americano, o AMA, seria uma grande conquista. Este ano tive a oportunidade de realizar uma pré-temporada nos Estados Unidos, até participei de algumas provas amadoras por lá. É uma realidade bastante diferente da nossa, eles estão muito a frente e tudo impressiona. Queria poder viver tudo isso um dia e ainda me sobressair. Mas mantenho meus pés no chão e sigo trabalhando firme. O que tiver que ser, será.

 


 
 
 

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